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Veja aqui Curriculum VitaeA minha colecção tem como ponto de partida um pequeno acervo meu, dos meus pais e dos meus avós, de algumas escassas centenas de postais adquiridos nos nossos percursos pelo Ultramar, em particular Angola e Moçambique. Foi em Angola que iniciei, no começo dos anos setenta, a minha carreira de magistrado do Ministério Público nas comarcas de Malanje e de Carmona [Uíge], estando colocado nesta, já após a prestação do serviço militar, quando se desencadeia, em Junho de 1975, a guerra civil que aflige aquele país até aos nossos dias. Testemunhei deste modo os últimos
anos da colonização portuguesa e os primórdios da
nova nação lusófona, e apercebi-me que as profundas
e drásticas mudanças que iriam ocorrer justificavam que
se fizesse um esforço para preservar a memória dum período
marcante da História dos dois países.
Perante a inércia das instituições oficiais e, por outro lado, existindo para todas as antigas colónias o mesmo imperativo de salvaguardar fontes incontornáveis do seu passado lancei-me ao meu projecto de colecção de antigos postais que documentassem a vida, as estruturas e pessoas nesses lugares desde os finais do século XIX até 1975 e, no caso de Macau, até à transição para a China em 1999. A recolha processou-se não só em diversos alfarrabistas e lojas de velharias em Portugal, mas também em locais idênticos em Madrid, Barcelona, Paris, Bruxelas e Nova Iorque, e ainda no famoso certame bianual da capital francesa denominado "Carte-Expo". Estou seguro que não é possível reconstituírem-se as imagens da História da Colonização Portuguesa - ou do período colonial da História dos Países Lusófonos - sem o recurso ao imenso material e visões proporcionadas pelo bilhete postal ilustrado, já que a respectiva literatura é normalmente pobre sob o ponto de vista iconográfico. Em inúmeras deslocações a tais países de expressão portuguesa tenho também notado que há uma avidez muito grande, sobretudo nas pessoas ligadas aos meios científico e universitário e nos jovens, por este tipo de iniciativas que permitem revisitar o passado recente e contribuem para a manutenção do próprio património cultural. Para além do interesse colectivo e comum da salvaguarda da memória de uma fase relevante da história contemporânea, o meu empreendimento coleccionista e editorial responde também a um profundo anseio pessoal - deixar a perspectiva de alguém que pertence a uma geração de portugueses que têm África no coração e que foi forçada a deixá-la, mas que a relembra a todo o momento identificando esses tempos antigos como tempos felizes. Pode ser nostálgico, como tantos olhares portugueses, mas é autêntico e verdadeiro, como aliás é notório e abertamente expresso por todos os que que por lá passaram.
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